Para o texto: Indo por você...

Para o texto: A última mensagem e A janela...

Para o texto: A próxima estação...

Para a primeira parte da trilogia: Fim da escuridão...

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A janela...

Ele a deixou lá, sozinha, sua única companhia agora eram as enfermeiras e a solidão.
Disse que era por pouco tempo e que voltaria em breve para busca-la. A enfermeira que o atendeu já havia ouvido esta mesma história por muitas e muitas vezes e sempre era a mesma coisa.
Ela logo simpatizou se com aquela frágil senhora pequena , magra e com seus longos cabelos mesclados em branco e preto.
Assim que aquele jovem partiu dali a enfermeira foi ao quarto para conversar um pouco e poder acomodar melhor aquela senhora. Ao passar pela porta, a percebeu olhando pela janela e quando se aproximou notou que ela observava o filho partindo e uma única lágrima escorreu pelo seu rosto.
A enfermeira a pegou cuidadosamente e a guiou até sua cama.
A noite chega e então a enfermeira vai até o quarto para desejar boa noite e verificar se está tudo bem, ao sair apaga as luzes, fecha a porta e sai.
Na manhã seguinte ao entrar no quarto a enfermeira encontra a senhora sentada de frente para a janela e olhando lá pra fora. Ela vai até a senhora e pergunta o que ela faz ali, pois deveria estar deitada e descansando!
Ela coloca uma bandeja com o café da manhã sobre a mesinha e a observa enquanto ele o toma.
A senhora passava todo o tempo sem sair do seu quarto, sentada diante da janela, olhando pra fora, sem dizer uma só palavra.
Meses se passaram... Anos se passaram... E ela continuava ali, diante da janela
A enfermeira por várias vezes se sentava ao seu lado e lia um livro ou contava uma história, porém a senhora não desviava seu olhar, vazio, que ficava fixo para o lado de fora da janela.
A enfermeira percebia que aos poucos a esperança era banida de seus olhos, ele não viria mais busca-la...
Por que??? Por que eles sempre fazem isso???
Ela nunca tivera filhos e cuidou de sua mãe até a morte!!!
Na manhã seguinte, como de rotina, ao entrar no quarto a enfermeira percebe que sobre a cama haviam várias sacolas plásticas e cada uma delas estava cheia de roupas bem dobradas.
Ela estava usando um vestido branco a qual nunca havia sido usado antes, era seu vestido preferido... Seus cabelos estavam amarrados em um longo rabo de cavalo com um lindo laço de fita cetim branca. Suas delicadas mãos enrugadas e com manchas criadas pelo tempo estavam sobre os joelhos e ela ainda permanecia sentada de frente para a janela, como sempre.
Ao notar a enfermeira em seu quarto ela olha para trás e diz:
- É hoje!!! Ele está vindo me buscar!!!
Ela sorri e volta a olhar para fora através da janela
A enfermeira não entende nada, mas se sente muito mal pois não tinha noticias do jovem que deixou aquela senhora ali já havia muito tempo.
Mesmo assim ela tenta disfarçar sua tristeza melancólica dando um sorriso e dizendo:
Que bom!!!   ...Então vamos tomar seu café da manhã!!!
A senhora levanta eufórica e pede para que a enfermeira que por tanto foi sua segunda companhia nestes longos e vazios anos vá até a janela ver, pois seu filho estava chegando.
Assustada e ao mesmo tempo feliz, ela corre até a janela para confirmar enquanto a senhora vai em direção a cama, mas ao procurar por alguns instantes não vê nada além da entrada vazia da casa de repouso.
Ao virar-se, ela vê a senhora deitada sobre a cama, sorrindo e abrindo os braços... Seus olhos lacrimejavam e irradiavam um brilho incomum, até que por vez, uma única lagrima lhe escorre ao rosto... E então ela se desvalesse...
A enfermeira corre e pede ajuda... Mas nada mais podia ser feito...

Ela morreu sorrindo...

Desesperada, ela corre até a recepção para tentar entrar em contato com aquele rapaz, mas não sabia se conseguiria pois já havia tentado a tempos e nunca obteve uma resposta ou um retorno.

O telefone toca...

Surpreendentemente um rapaz atende e pergunta quem está falando.
Ela mal consegue ouvi-lo pois de fundo ha um grande ruido junto com o som de várias pessoas falando.
Ela o chama pelo nome mas quem atendeu diz não ser ele e lhe pergunta se ela conhece o dono daquele celular.
Ela diz que sim.
O rapaz do outro lado então a informa de que ele é um socorrista que está auxiliando em um acidente a qual o dono daquele número havia se envolvido naquele exato instante.
Ela não podia acreditar! Exita um momento e pergunta onde foi que tudo aconteceu.

O local que ele informa ficava a poucos metros dali. Ela então decide ir até lá para confirmar se ambos falavam da mesma pessoa.
Ao chegar, ela confirma o pior...
Era de fato o filho daquela senhora.
Seu corpo ainda estava preso as ferragens do carro e ao olhar mais de perto ela se desespera e grita,
pois no banco do passageiro havia um enorme ramalhete de flores junto a um envelope escrito:                                                                                         MÃE ME PERDOA...

Um comentário:

Unknown disse...

Gostei muito desse texto, achei profundo e impactante. Confesso que não imaginava que o final seria assim e comecei a imaginar um tanto de coisas que poderiam acontecer, numa das hipóteses eu estava certo mas em outra não, o que me deixou estranho... O tema abordado também é muito interessante pois é a triste realidade de muitos idosos. Parabéns, vc escreve super bem.