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sábado, 1 de fevereiro de 2014

Espelhos...


Tenho me olhado no espelho por tanto tempo que passei a acreditar que minha alma estivesse do outro lado, fria e sem sentimentos.
Toda vez que tento tocar em meu reflexo, pequenos fragmentos caem sobre chão, deixando meu reflexo distorcido.  Fragmentos estes pequenos demais para serem recolocados de volta em seu lugar, porem,  grandes o suficiente para me fazer sangrar se tentar  toca-los.
Uma vez mais eu tentei  e isso deixou minha imagem refletida ainda mais distorcida e novamente tentei pegar os cacos  frios sobre o chão.
Sangrei e, continuo a sangrar.
Qual é o verdadeiro eu?  O lado frio que se remete a mim, ou o eu que aqui estou,  meio vivo  e com um coração quase não mais batendo?
Já não mais me conheço, já não sei quem sou.
Cada um destes fragmentos leva consigo um pouco da minha força, um pouco da minha vida e muito de mim...
Já não tenho mais forças, tudo parece cinza, tudo parece gélido e meu coração, ahh meu coração... Como o maltratei.
Qual dos dois eu amo? Qual dos dois eu realmente sou?
De certo modo eu e meu reflexo estamos ligados,  pois enquanto ele desaparece a cada toque eu também deixo de existir lenta e dolorosamente.
Continuo a sangrar, pois desesperadamente tento pegar caco por caco e recoloca-los em seus devidos lugares, porque sei que se conseguir  volto a ser o meu reflexo... Volto a ser o que eu quero ver  e não o que realmente sou.
Mas todo esforço é em vão.
Nada mais pode ser  feito, nada mais tem sentido...
Continuo a observar me diante do espelho,  já quase não consigo me ver do outro lado...   Minha alma realmente estaria lá? Estaria ela se perdendo junto com meu reflexo?                  Não a sinto mais em mim e, novamente pergunto a mim mesmo:
Quem sou, quem quero ser e por fim, a quem quero enganar???
Do outro lado do espelho parece ser mais fácil, pena ele quase não existir mais...
Por tanto tempo me refugiei  ali  e,  por  vezes de lá, eu também  tocava em meu reflexo invertido , porém com uma grande diferença... Lá não existia  sentimentos, lá não existia sangue, lá não existia lágrimas, lá não existia dor, lá não existia... Eu.
Agora eu respiro, agora eu sinto, agora eu sangro, agora eu choro, agora eu sofro  e isso me faz lembrar que isso tudo é quem sou , que isso tudo é bem real.
Já não me resta mais nada... Apenas esta dor cruel, apenas pedaços de mim, quebrados  pelo chão... Do meu reflexo não existe quase nada...

Tentei toca-lo  novamente pela última vez e tudo se repetiu, mas  desta  vez  não restou nada deste espelho e então percebi que  chegou  a hora em que de tanto toca-lo eu virei apenas pequenos  fragmentos frios pelo chão e então eu não sentirei mais nada... Não sinto mais nada... Não mais respiro.

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