Para o texto: Indo por você...

Para o texto: A última mensagem e A janela...

Para o texto: A próxima estação...

Para a primeira parte da trilogia: Fim da escuridão...

sábado, 5 de junho de 2010

A próxima estação...

As pastilhas pretas do chão passavam cada vez mais depressa !
Ele fixava seus olhos nelas, mas não as observava.

Seu olhar era distante, vazio.

Porque ela se foi sem se quer dizer adeus?

Ele não tinha motivo para acreditar que ela havia partido, tudo parecia um pesadelo.
Eles a tiraram dele, mesmo sabendo que desta vez seria para sempre, que desta vez o amor era para sempre.
Estação após estação ele tentava compreender o porque.
Ele jamais poderia amar novamente, amar como ainda a ama...
Suas noites agora eram longas, onde ele sentia frio por não ter mais o calor do corpo dela para aquece-lo.
Era impossível continuar, sabendo que não a teria novamente em seus braços. Somente os dois sabiam o que haviam construído juntos.
As lembranças o golpeavam como um gélido punhal, dilacerando seu coração.
Ele então se encolhe no assento do metrô quase que agonizando por sua dor.
Ela jamais estaria ao seu lado outra vez !
Duas almas separadas impiedosa e cruelmente.
O que eles haviam feito com suas asas já que ela nunca o veio visitar ?
Sua alma doía, doía por já estar morrendo lentamente sem sua outra metade.
Ele sabia que ela jamais o abandonaria. Mas porque ela não voltou para busca-lo ?
Suas lagrimas e soluços se misturavam em meio a calafrios, o desespero ainda o possuia cada vez mais...
Um perfume o faz levantar o rosto.
Ele olha pela janela e a vê do lado de fora sorrindo, o olhando fixamente.
O sinal antes do trem fechar as portas toca e então, ele parte daquela estação.
Seus olhos não acreditam no que acabam de ver, pois as lágrimas ainda distorciam lhe a visão.
Mas ele sabia que era ela !
Tentando conter as lágrimas, ele se levanta impaciente, pois ele sabe que teria de descer na próxima estação para poder encontra-la novamente... para serem felizes novamente...
Um leve sorriso é percebido em seus lábios por aqueles que agora o observavam de pé, em frente a porta.

Ele desce, parando na plataforma, esperando pelo próximo trem, pois sabe que é nele que ela virá encontra-lo.
Os trilhos começam a tinir indicando a aproximação do trem.

Ainda chorando ele fecha os olhos, abre os braços e deixa seu corpo apenas cair...

Tudo se torna lento e mudo...

Algumas pessoas correm em sua direção, mas ninguém mais o separaria dela.
Enquanto ele cai sente o mesmo perfume aumentar.... Ele sorri, pois sabe que ela veio busca-lo para estar definitivamente em seus braços, para sempre.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Indo por você...

No banco de trás do carro, ela tentava se manter calma, mas como, já que elas não se viam a tanto tempo ?
Ela tentou seguir seu caminho sozinha, mas mesmo assim, uma fina linha de seda ainda as mantinham juntas, ligadas uma a outra...

Quanto tempo havia se passado desde o último abraço?
Quanto tempo havia se passado desde que estiveram juntas pela última vez ?

Há muito tempo ela esperava por este encontro, há muito tempo ela não lhe dava um telefonema...
Ela se perguntava como, mas como ela poderia ter se tornado tão fria assim ? Ela apenas não queria mais ser como o frio do chão...
Antes, as duas deitadas sob o luar sem dizer nada, ou apenas correndo pelo jardim de casa, como duas crianças, brincando.
Como ela pode abandonar tudo aquilo ?
Agora, no caminho, ela se odiava por respirar sem ela...
Seu rosto é tocado subitamente por uma lágrima, que rola sobre ele ao se lembrar de quando a fez chorar, dizendo algo como:  Eu te odeio !!!
Mas ela sabia que nada disso era verdade.
E agora, ela estava indo por ela...
Ela não via a hora de estar novamente ao seu lado...
Não importava o que lhe disseram... Ela nunca esteve só... Mesmo longe ela estava ao seu lado... E agora cada vez mais, para sempre mais...

O carro estaciona, ela desce.

A tensão era tao densa que poderia ser cortada com uma faca.

Ela sai correndo ao seu encontro e decide entrar sozinha no quarto...

Vai até a cama...

Ao se aproximar percebe o quanto ela havia envelhecido
Lágrimas lhe vieram mais uma vez, mas ela permaneceu forte, parada ao lado da cama.
Então, acaricia sua cabeça sentindo seus finos fios de cabelos ja brancos e ralos...
Ela abre os olhos... Sorri... E em seguida chora em um murmúrio quase que inaudível, misturado a soluços. Estendeu os braços, as duas se abraçaram aos prantos...

Mas algo aconteceu, pois subitamente ela foi arrancada dos braços em que ali repousava.

Duas linhas horizontais e paralelas acompanhadas por um som contínuo...

Os médicos a tiram do quarto sem ao menos deixa-la sentir de novo o calor dos braços de sua mãe...
Tudo se tornou confuso... Massagens cardíacas, choques anafiláticos...

Nada mais adiantava, tudo havia terminado ali...
Porque ela não disse EU TE AMO... Porque ela não lhe pediu perdão!!! Um simples EU TE AMO MÃE... ME PERDOA!!!

Inexplicavelmente a filha some no dia do enterro.
A última vez que foi vista foi durante o velório, debruçando-se sobre o caixão da mãe, aos prantos, deixando-lhe uma rosa branca ao peito, pois esta era sua flor preferida.

Depois disso não foi mais vista.

Passaram se muitos anos sem se ter noticias daquela menina que por tanto amava sua mãe.

No dia da exumação dos restos mortais, ao abrirem o caixão, todos pararam perplexos diante do que presenciaram...

Junto ao corpo da mãe, estava o da filha, agarrado, como em uma tentativa de recuperar todos aqueles anos passados longe da mãe;
Ainda sobre o peito estava a rosa, estranhamente conservada e exalando um perfume indescritivelmente maravilhoso.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

A última mensagem...

Ela está sentada de frente para o seu computador, desesperada, já sem fôlego de tanto chorar.
O reflexo do abajur se misturava as lágrimas que molhavam seu rosto em uma mórbida penumbra.
Desesperada, ela tentava digitar algo que somente ela sabia, mas suas mãos a traiam, já que não paravam de tremer.

A dor era visível em seus olhos.

-Isso não poderia ter acontecido comigo !!! Balbuciava ela em sussurros quase que incompreensíveis
- Meu Deus não !!! Por favor!!!

Ao mesmo tempo em que digitava, pegou seu telefone e discou um número, mas não teve resposta
.
Continuou a digitar, mas seu sofrimento era tanto, tão intenso que nenhum raciocínio lógico lhe vinha em mente.

- Meu Deus, não.... Eu não vou conseguir sozinha !!!

Mais uma tentativa frustrada de outra ligação não atendida...

Ela coloca suas mãos sobre a cabeça, e cansada, para de chorar por um instante. Fica com os olhos parados, distantes, lembrando de sua felicidade já perdida.
Seus pensamentos são confusos, mas sua memória a leva à um momento em que na cama, estava acordada ao lado dele apenas ouvindo sua respiração.

Aquele amor já não era como antes... Ele já não era mais o mesmo... A sua única certeza era a de que seu sentimento ainda estava ali, não a havia deixado assim como o dele fizera...
Ainda ardia dentro dela, como ainda pela primeira vez...

Não !!!

Um grito que expressa quão profunda está sendo sua dor corta o silêncio gélido que havia estado momentaneamente em seu quarto.

Ela volta a escrever e murmura:
- O que eu farei sem você ??? Não me deixe !!! Volta pra mim !!! (e chora ainda mais)
Os soluços ainda à dominava... A escuridão estava próxima...
Ela sabia que ele já não pensava mais em "nós".  Hoje, ele só se preocupava com ele, com os sentimentos dele...
Como um amor assim tão lindo poderia ter chegado ao fim ?

Com suas mãos ainda trêmulas, ela volta a pegar o telefone em uma última tentativa de ouvir sua voz apenas mais uma vez antes... E outra vez não há sucesso... Más esta, durou um pouco mais,... alguns segundos mais...
Toda sua esperança havia se esvaído, era como se lhe tivessem tirado o ar e pela primeira vez ela sente sua alma doer.
Nada, mas nada mesmo tinha mais sentido.
Ela para por mais um momento, sua maquiagem estava borrada devido suas lágrimas, abaixa a cabeça e a balança negativamente como quem não estivesse acreditando em tudo aquilo... Como quem não acredita mais na vida, como quem não acredita mais no amor...

Ela se levanta, caminha até a porta de seu quarto, passa pela sala e percebe na estante um porta retrato com uma foto em preto e branco, onde os dois se abraçavam e sorriam. Foto de uma época que já não mais existia. (ela exita)... mas continua...

Vai até a sacada do seu prédio (era noite) e percebe que o mundo continuava, mas o seu não mais...
Os carros faziam barulho lá em baixo, as pessoas caminhavam e conversavam em um grande murmurio...

Um silêncio...
...que subitamente é perturbado por um grito de pavor que vem da calçada.

Ela já não mais existia... toda sua dor passara... ela não sentia mais nada...

Foi o fim de tudo...

Em outro canto da cidade, quase que neste exato instante, uma mensagem de voz é ouvida por um rapaz que saia do cinema com sua atual namorada.

Na mensagem uma garota chorando dizia:

- Por que você já não me ama mais ??? Por que você me deixou ???
Quem sabe em uma outra vida poderemos ser felizes, como uma família.
Eu, você e nossa filha !!! Era uma surpresa !!!
Eu estou grávida !!!
Me perdoe por favor !!!
Eu te amo... eu te... (choro e soluços)...

ADEUS.