Para o texto: Indo por você...

Para o texto: A última mensagem e A janela...

Para o texto: A próxima estação...

Para a primeira parte da trilogia: Fim da escuridão...

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Indo por você...

No banco de trás do carro, ela tentava se manter calma, mas como, já que elas não se viam a tanto tempo ?
Ela tentou seguir seu caminho sozinha, mas mesmo assim, uma fina linha de seda ainda as mantinham juntas, ligadas uma a outra...

Quanto tempo havia se passado desde o último abraço?
Quanto tempo havia se passado desde que estiveram juntas pela última vez ?

Há muito tempo ela esperava por este encontro, há muito tempo ela não lhe dava um telefonema...
Ela se perguntava como, mas como ela poderia ter se tornado tão fria assim ? Ela apenas não queria mais ser como o frio do chão...
Antes, as duas deitadas sob o luar sem dizer nada, ou apenas correndo pelo jardim de casa, como duas crianças, brincando.
Como ela pode abandonar tudo aquilo ?
Agora, no caminho, ela se odiava por respirar sem ela...
Seu rosto é tocado subitamente por uma lágrima, que rola sobre ele ao se lembrar de quando a fez chorar, dizendo algo como:  Eu te odeio !!!
Mas ela sabia que nada disso era verdade.
E agora, ela estava indo por ela...
Ela não via a hora de estar novamente ao seu lado...
Não importava o que lhe disseram... Ela nunca esteve só... Mesmo longe ela estava ao seu lado... E agora cada vez mais, para sempre mais...

O carro estaciona, ela desce.

A tensão era tao densa que poderia ser cortada com uma faca.

Ela sai correndo ao seu encontro e decide entrar sozinha no quarto...

Vai até a cama...

Ao se aproximar percebe o quanto ela havia envelhecido
Lágrimas lhe vieram mais uma vez, mas ela permaneceu forte, parada ao lado da cama.
Então, acaricia sua cabeça sentindo seus finos fios de cabelos ja brancos e ralos...
Ela abre os olhos... Sorri... E em seguida chora em um murmúrio quase que inaudível, misturado a soluços. Estendeu os braços, as duas se abraçaram aos prantos...

Mas algo aconteceu, pois subitamente ela foi arrancada dos braços em que ali repousava.

Duas linhas horizontais e paralelas acompanhadas por um som contínuo...

Os médicos a tiram do quarto sem ao menos deixa-la sentir de novo o calor dos braços de sua mãe...
Tudo se tornou confuso... Massagens cardíacas, choques anafiláticos...

Nada mais adiantava, tudo havia terminado ali...
Porque ela não disse EU TE AMO... Porque ela não lhe pediu perdão!!! Um simples EU TE AMO MÃE... ME PERDOA!!!

Inexplicavelmente a filha some no dia do enterro.
A última vez que foi vista foi durante o velório, debruçando-se sobre o caixão da mãe, aos prantos, deixando-lhe uma rosa branca ao peito, pois esta era sua flor preferida.

Depois disso não foi mais vista.

Passaram se muitos anos sem se ter noticias daquela menina que por tanto amava sua mãe.

No dia da exumação dos restos mortais, ao abrirem o caixão, todos pararam perplexos diante do que presenciaram...

Junto ao corpo da mãe, estava o da filha, agarrado, como em uma tentativa de recuperar todos aqueles anos passados longe da mãe;
Ainda sobre o peito estava a rosa, estranhamente conservada e exalando um perfume indescritivelmente maravilhoso.

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